segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Teoria da Realidade

Numa bela e tão adorada aula de morfologia (eu acho) minha professora decidiu explicar o significado de onomatopéia, para qual a definição é:
Vocábulos que imitam os sons da realidade.
Nessa onda de explicações, a mesma definiu a palavra realidade.
- O que é realidade? – ela perguntou.
Até o presente momento, sempre entendi realidade como o que de fato existe e, por conseguinte é contrária a ficção.
Minha de veras amada professora definiu da seguinte forma:
- Realidade é tudo aquilo que acontece ao nosso redor e do qual tomamos conhecimento.
E foi mais além com exemplos:
- Imaginem que esteja havendo uma palestra no auditório, e ninguém aqui está ciente, bem como ninguém veio nos avisar. Logo esta palestra não é realidade.

Caros colegas, de acordo com as afirmações citadas por essa jovem senhora, convido-os a refletir comigo.

Iniciando um pensamento da maneira mais óbvia, tudo aquilo que não é realidade, não é real, sendo assim falso. Uma mentira.
Logo, podemos chamar isso de ficção ou mesmo afirmar que não existe.
Ligando os fatos citados, para que também façamos uma ratificação teórica, tudo aquilo que não nos é de ciência, também não é real, deixando assim de existir, porém tudo que conhecemos e presenciamos existe. Correto?

Agora, façamos uma analise.
Nenhum de vocês me viu escrevendo este texto, logo esse momento nunca foi realidade ou real, como quiserem chamar, para nenhum de vós, ou seja, nunca existiu.
Portanto, o fato de nunca ter existido, implica que este artigo também nunca foi escrito, anulando assim a existência do mesmo.
Logo, todos vocês neste exato momento estão lendo algo inexistente, fazendo com que em seguida não estejam fazendo nada, pois estão sentados em frente a uma pagina em branco.

Foi um prazer fazer nada para vocês (ou não).
Até a próxima
.
.
Obs: Gostaria de ressaltar que essas não são minhas palavras, e sim uma analise irônica das palavras de uma professora que aprecio inenarravelmente.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Canto Sob o Sol

Sob o claro sol andei à ela
Vestida linda, de preto e branco
Quando dela ouvi seu doce canto,
Dei-me conta de como era bela
.
Parada ao lado de uma janela.
E na sua boca um sorriso franco,
Que à sua imagem trazia encanto
De esplendor qual Sistina capela.
.
De leve ela tomou minha mão
E disse: Tenho algo a lhe mostrar.
Cumprindo a prece de um coração
.
Pelo seu mundo fui caminhar
Tão gentil, começou tal canção
De fazer qualquer tempo parar.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O Menino e o Machado

Pedrada na janela esquerda

O vidro estava fechado.

Furioso ele levanta

E vê tudo estilhaçado.

Desce as escadas depressa

Segurando seu machado.

.

“Corre menino, corre!

O vizinho está irritado.

Porque fica parado ai?

Quer ter o braço cortado?

Ontem à noite eu o vi

Afiando seu machado.”

.

“Ele não passa de um louco

Que há de mais n’algo quebrado?

Olha como vêm mancando

Todo desajeitado.

Pensa que pode me assustar

Sacudindo seu machado?”

.

“Não pretendo amedrontá-lo

Moleque abusado.

Fique bem como está,

E será decapitado.”

Urrou o vizinho

Descendo-lhe seu machado.

.

E um golpe pesadíssimo

Acertou em cheio o gramado.

O menino bem veloz

Esquivou-se para o lado.

Olhou o vizinho, e correu

Evitando seu machado.

.

“Maldito seja”

Diz o vizinho frustrado.

Voltou a casa e deitou na cama.

“De que adianta ficar acordado?”

Abriu a porta do armário

Guardando seu machado.

.

No dia seguinte lá foi o menino,

Esgueirando-se pelo cercado.

Subiu a escada até o quarto

E andando de leve, sem calçado,

Abriu o armário, olhou o vizinho e sorriu

Roubando-lhe seu machado.

.

Saiu de casa e chamou aos outros

Sorrindo e saltando animado.

“Três vivas ao nosso herói

Que em tempo era esperado.”

E o menino cantou vitória

Erguendo seu novo machado

domingo, 11 de outubro de 2009

Revolta

Estou cansado.
Cansado de escrever coisas bonitas,
Cansado de todos esses versos com rimas,
Isso, todo mundo faz.
Cansado dessa raiva sem sentido,
Cansado dessa moda de revolta,
Cansado de buscar por ideais.

Política, economia,
O futuro de um país.
E que tal o meu futuro?
Egoísmo, talvez loucura.
E daí se é algo ruim?
Não ligo mesmo. Juro!

Que culpa temos por não sermos perfeitos?
E que direito temos de julgar alheios?
Tenho uma vida para cuidar.
Não me importam os seus erros,
Não me inclua nessa revolta
Que leva a nenhum lugar.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Eldorado (Edgar Allan Poe)

Gaily bedight,
A gallant knight,
In sunshine and in shadow,
Had journeyed long,
Singing a song,
In search of Eldorado.

But he grew old
This knight so bold
And o'er his heart a shadow
Fell as he found
No spot of ground
That looked like Eldorado.


And, as his strength
Failed him at length,
He met a pilgrim shadow
"Shadow," said he,
"Where can it be
This land of Eldorado?"


"Over the Mountains
Of the Moon,
Down the Valley of the Shadow,
Ride, boldly ride,"
The shade replied
"If you seek for Eldorado!"




Eldorado (Edgar Allan Poe)

Tradução de Igor Severo de Abreu

Trajado alegremente
Um cavaleiro valente
No sol ou nublado
Viajou só em ida
Cantando uma cantiga
Em busca do Eldorado

.

Já não era mais novo

Cavaleiro tão corajoso

E seu coração se tornou sombreado

Caiu ao encontrar

Nem sinal de um lugar

Que parecesse com Eldorado


.

E, enquanto sua energia

Desapontava-lhe dia a dia

Encontrou um peregrino maculado

“Maculado,” ele disse

“Onde foi que vistes

Essa terra de Eldorado?”


.

“Sobre as montanhas

Da lua,

Descendo o Vale assombrado

Cavalgue através da lomba,”

Replicou a sombra

“Se procura pelo Eldorado!”


.

Olá galera. Apresento-lhes a minha versão traduzida do poema “Eldorado” de Edgar Allan Poe.

Nela, tentei manter a essência transmitida pelo autor. Para manter as rimas tive que fazer algumas adaptações. Traduzi de uma maneira que o signifcado mais se aproximasse para que não houvesse muita diferença daquilo que Allan Poe escreveu.

É dito que poesia é aquilo que se perde na tradução, mas dessa vez tentei fazer diferente, mantendo a tradução mais próxima possível do original.


.

Abaixo segue o link com outras duas traduções de profissionais:

http://www.elsonfroes.com.br/poe.htm


.

Bom, espero que tenham gostado.

Se tiver um resultado positivo tentarei fazer novas traduções e em breve postarei aqui.

Até a próxima pessoal.

Abraços

Turvans

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O mais gostoso dos sons

Uma espada ao ser desembainhada. O som da lâmina correndo no pedaço de metal que fica bem na boca da vagem. Erguida no ar com sua prata tão afiada, ela corta a brisa até ir de encontro à carne, e quando a toca, seu fio transpassa camada após camada.
E o som... Ah o som.
A pele sendo aberta aos poucos, carne a carne, ossos, órgãos. Então ela para, e tudo que resta é segurar com força o punho, olhar a vítima desde o ponto onde está a espada até os olhos. Olhos vivos, vorazes, corajosos, porém incapazes de uma reação. E então girar, girá-la e apreciar a mudança no rosto causada pela dor da torção da lâmina até que o sangue saia, rubro escarlate. E ouvir o mundo mudo. E ouvir o metal mudo. E um grito sem som de uma boca aberta e tremula. Ouvir o som de um corpo que se deita lentamente, e se afasta do punho firme e frio, caindo ao chão e soando seco e delicioso.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Tímido

Tanta gente
Tão linda por
Todo lado.
Tenho que
Tentar conhecê-las.
Todo dia
Tenho chances, no
Trabalho, na
Travessa. Um
Turbilhão de
Tentações,
Troianas e Gregas,
Traz um desejo
Travesso,
Todavia
Tira meu
Tábido
Tempo e
Tardo a dormir.
Tão
Triste.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Aparência - Capítulo 15 (Final 2)

Ama estava colocando os cosméticos nas caixas, quando ouviu o telefone tocar. Não sabia quem poderia ligar àquela hora e, ao atender ouviu uma voz que não conhecia.

- Alô – disse ela.

- Eu sei de tudo – disse a voz.

- O que? Tudo o que? Quem está falando? – perguntou ela pretendendo estar aflita.

- Não tente me enganar. Eu já sei toda a verdade. Você matou sua mãe quando tinha quatorze anos, e seu pai depois de ter descoberto, te espancou na tentativa de vingar-se pela mulher amada. Tudo porque ela tocou seus preciosos produtos. E agora, sete anos depois, a história se repete. Achou que ninguém iria saber?

Ela ficou muda e só se ouvia a respiração no telefone.

- Responda! – gritou a voz.

- Vocês nunca vão me pegar.

Isso era tudo que eles precisavam. Michael desligou o telefone e ele, o delegado e mais alguns policiais seguiram para a casa de Ama. Quando chegaram, ela ainda estava saindo e, ao vê-los, arrancou com o carro, mas foi logo seguida.

Ela optou por uma estrada que levava a rodovia, onde ela poderia desenvolver maior velocidade para fugir deles, que estavam em seu encalço.

- Pare o carro – disse o delegado no megafone.

E assim que o disse, o carro de Ama chocou-se com um caminhão de gasolina, porém o sistema de segurança do veículo evitou que ela se ferisse, mas não impediu que lhe caísse combustível por todo corpo.

Desesperada, ela soltou o cinto e abriu a porta com força, fazendo com que o atrito de metais gerasse uma faísca, transformando seu carro numa labareda com ela dentro.

Ama saiu do veículo correndo em chamas e Michael agarrou-a, jogando-a no chão para extinguir o fogo e, ao fazer isso, ela desmaiou.

Na semana seguinte, no hospital, ela foi encontrada sentada no chão sem as ataduras no rosto desfigurado, morta com cortes nos pulsos e em uma das mãos um espelho.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Aparência - Capítulo 15 (Final 1)

Ama estava colocando os cosméticos nas caixas, quando ouviu o telefone tocar. Não sabia quem poderia ligar àquela hora e, ao atender ouviu uma voz que não conhecia.

- Alô – disse ela.

- Eu sei de tudo – disse a voz.

- O que? Tudo o que? Quem está falando? – perguntou ela pretendendo
estar aflita.

- Não tente me enganar. Eu já sei toda a verdade. Você matou sua mãe quando tinha quatorze anos, e seu pai depois de ter descoberto, te espancou na tentativa de vingar-se pela mulher amada. Tudo porque ela tocou seus preciosos produtos. E agora, sete anos depois, a história se repete. Achou que ninguém iria saber?

Ela ficou muda e só se ouvia a respiração no telefone.

- Responda! – gritou a voz.

- Vocês nunca vão me pegar.

Isso era tudo que eles precisavam. Michael desligou o telefone e ele, o delegado e mais alguns policiais seguiram para a casa de Ama.

Ao chegar lá, não a encontraram, mas foram informados, pelo policial que lá estava que ela havia saído há pelo menos dez minutos. Entraram em contato com todas as unidades, passando os dados do carro da moça, que em seguida foi encontrado em movimento a dezessete quilômetros dali.

A perseguição não durou muito, pois assim que a polícia ligou a sirene o carro encostou e de dentro saiu um homem com as mãos para o alto. Ama havia trocado de carro com um colega seu ainda em casa e seguiu para a capital para realizar um de seus sonhos.
Uma cirurgia plástica.

domingo, 27 de setembro de 2009

Aparência - Capítulo 14

De fato não havia prova contra ele, e alguns dados não batiam como, o sangue na toalha e o sangue de Pablo, a arma do crime que não continha as digitais de Michael, e também, como Michael poderia matar o rapaz se ele estava trancado no banheiro?

Ele e o delegado não dormiram naquela noite, e quando o dia já tinha amanhecido o delegado já sabia de tudo que Michael descobrira até aquele momento, mas por ser o principal suspeito, não podia ser solto nem levado até a casa de Ama.

Michael ficou desapontado com a decisão dele, mas diante das circunstâncias, era absolutamente normal que o delegado não confiasse nele. Tudo que podia fazer naquele momento era repassar as informações apresentadas, o que lhe intrigou mais ainda. Por que Ama tinha aqueles jornais guardados? Por que sua mãe foi assassinada? E por quem? Por que o pai dela a agrediu após a morte da mãe? O jornal disse que a mãe foi morta no banheiro com um frasco de hidratante na mão. Será que Ama...

- Ela não seria capaz – pensou alto.

- Como é rapaz? – perguntou o delegado.

- Acho que encontrei uma solução satisfatória para nós dois.

- Do que você esta falando? – perguntou o delegado, agora mais confuso – Por favor, explique-se.

- Ambos os crimes estão ligados aos produtos – disse Michael ainda pensando – Encontrei a resposta para nosso problema, mas para isso vou precisar de um telefone.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Aparência - Capítulo 13

Michael foi jogado nos policiais como um saco, sob várias acusações. Dois deles subiram para fazer a perícia do local e assim que desceram, algemaram o rapaz e o levaram. Apenas um policial ficou na casa, restringindo a entrada de pessoas na área do assassinato. Levaram também algumas testemunhas, sendo elas, duas contra Michael e uma a favor.

Ao chegarem à delegacia, começou um interrogatório sobre todos os presentes, e o delegado recolheu e avaliou cada depoimento de maneira minuciosa.

- Uma semana atrás, eu estava dormindo, mas acabei acordando com dor de cabeça e resolvi dar uma volta. Foi quando vi Michael e Pablo discutindo na calçada, e ouvi claramente quando Michael disse: “Quem tem que tomar cuidado aqui é você”. Eu não entendi o porquê da ameaça e separei os dois. Hoje na festa, Michael não tirou os olhos de Ama, e quando ela subiu com Pablo, o esquisito esperou alguns minutos e foi atrás deles cobrindo o rosto e achando que ninguém o reconheceria. Acho que ele sentia ciúmes dela. – disse o vizinho.

- Já faz alguns dias que conversei com Michael e tentei convencê-lo de ir até a festa conosco, mas ele foi relutante e afirmou que havia algo estranho na anfitriã que lhe trazia receio. No fim das contas acabou indo. Ele se sentou um pouco destacado e seu nariz começou a sangrar. Segui-o para saber como ele estava, mas quando cheguei, ele já tinha fechado a porta e eu resolvi deixar para lá. Quando ouvi, vindo do quarto em frente ao banheiro, o som de alguma coisa caindo no chão, me virei, mas tudo que consegui ver foi um vulto feminino sair do quarto. Como Ama e Pablo haviam subido, imaginei que estivessem se divertindo lá dentro – disse o vizinho de Michael.

- Eu estava indo ao banheiro quando Michael passou por mim apressado. Tudo que pude ver foi sua roupa suja de sangue, bem como a toalha na pia. Ele deve ter se limpado com aquela toalha depois de cometer o crime, e tentou fugir da festa o mais rápido possível – afirmou a vizinha traumatizada.

- Eu realmente observei Ama a semana toda, mas tudo que fiz foi com o objetivo descobrir quem ela é realmente. – disse Michael – E quando finalmente consegui uma pista, isso tudo aconteceu. Tirem-me daqui, não existem provas contra mim. Deixem-me voltar a casa, pois sou o único que pode levá-los até o verdadeiro assassino.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Aparência - Capítulo 12

Vários braços agarraram Michael com força para impedir que ele fugisse, mas todo esforço foi em vão, pois Michael estava em choque com a situação e não se movia nem para piscar os olhos. A polícia já estava a caminho, e enquanto não chegavam, trouxeram-no para baixo e o jogaram no sofá, fazendo uma série de perguntas. No começo ele não disse nada, mas depois que voltou a si, viu um bando de gente apontando e acusando.

- Não pretendo dizer nada agora. O que sei sobre o acontecido é o mesmo que vocês e por direito posso ficar calado. Façam como quiser. Não direi nada – disse Michael acalmando-se e começando a raciocinar.

O vizinho, daquela noite há uma semana, agarrou-o pela gola da blusa e o suspendeu.

- Acha que eu não vi vocês discutindo na outra noite? – disse ele com ódio nos olhos – Acha que não ouvi sua ameaça? HEIN? Responda! – gritou ele, soltando Michael e chorando pela morte do amigo.

- Aquilo não foi uma ameaça – respondeu Michael frio – Eu tentei alertá-lo, mas ele não quis me ouvir.

- Seu maldito!

E no momento em que o vizinho investiu sobre Michael ouviu-se uma sirene e todos miraram a porta.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Aparência - Capítulo 11

Ao sair, Michael passou por quase todos os cômodos menos dois, sendo um deles o quarto de Ama que estava vazio. Ao entrar, percebeu que a gaveta do criado-mudo estava aberta, e achando que talvez as respostas que procurava estivessem ali, ele começou a revirar os papeis que estavam dentro. Enquanto vasculhava, encontrou artigos de um jornal de sete anos no qual estava publicado o assassínio da mãe de Ama, o depoimento dos familiares e um que lhe chamou a atenção, dito pelo pai. Havia também um artigo do mesmo jornal, seguinte àquele, informando a prisão de pai por agressão à filha, mas dizendo que o mesmo havia sido solto já que pagaram sua fiança.

Ele estava começando a ler o que o depoimento do pai quando ouviu um grito estridente vindo do corredor. A festa inteira parou com aquele grito horripilante de medo e, assustados, todos tentaram subir as escadas, para saber o que tinha acontecido, enquanto Michael guardava tudo o mais rápido que podia.

Quando saiu do quarto, deparou-se com o corredor abarrotado de pessoas, mas, como era magro e não muito alto, foi conseguindo espaço até chegar ao que todos estavam em volta. Ficou perplexo ao ver o corpo de Pablo rodeado de sangue e, ao lado, a vizinha que passou por ele no corredor, chorando apavorada com a cabeça voltada para baixo. Ama também estava lá, tentando acalmar a jovem com um copo d’água na mão. Ela levantou a cabeça para beber a água e viu Michael parado em sua frente.

- Foi ele – disse ela entrando em pânico e tentando recuar contra a parede – Foi ele. Prendam-no. Foi ele que fez isso.

.

Pela primeira vez Michael não soube o que fazer. Ficou lá imóvel, enquanto todos os olhos naquela casa se voltavam para ele.

sábado, 19 de setembro de 2009

Aparência - Capítulo 10

Ele subiu a escada, atônico, cobrindo o rosto com as mãos e tentando estancar o sangue em vão. Enquanto estava a caminho do banheiro, o sangue escorria por suas mãos e pingava em sua blusa. Assim que entrou, trancou a porta e pôs uma toalha de rosto branca no nariz.

Michael não conseguia entender o porquê daquilo naquela hora e começou a ficar preocupado quando o sangramento não mostrou sinais de que iria parar. De súbito, ele ouviu um som surdo como o de algo caindo no chão, não obstante, não deu muita atenção, já que, se estava havendo uma festa, era normal que derrubassem coisas ou até mesmo quem alguém caísse por tropeçar no tapete, ou uns nos outros.

Dois minutos depois, tudo já havia cessado, porém a toalha ficou encharcada, mas para que não dessem falta, ele decidiu deixá-la na pia e procurar por Ama para informá-la sobre o incidente.

Ao sair, encontrou com uma das da vizinhas, que passou por ele e foi ao banheiro. Como Michael estava por demais preocupado entre encontrar Ama o mais rápido possível e evitar que aquilo acontecesse novamente, nem sequer pensou que a jovem poderia ver a toalha.

Ela, ao passar por ele, reparou que sua blusa estava suja de gotas vermelhas e, apreensiva entrou e viu que dentro da pia, sob a torneira aberta, estava um pano quase todo avermelhado. A moça foi até o corredor com o intuito de falar com Michael e saber o que tinha acontecido, mas reparou que a porta do quarto em frente estava entreaberta, e ao olhar para o chão, percebeu no canto da porta, saindo do quarto, um fluido escuro que, ao tocar, deixou seus dedos vermelhos fazendo-a perceber que aquilo era sangue.

Assustada, abriu a porta lentamente, assistindo aquele rastro de sangue desaparecer na sombra do quarto apagado.

Levantou-se e acendeu a luz. Lá estava ele, Pablo, estirado no chão com a garganta degolada. Morto.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Aparência - Capítulo 9

Ama foi até a porta receber o ilustre convidado e aproveitou para servir-lhe uma taça de vinho enquanto tirava sua jaqueta molhada e a pendurava no cabideiro junto com as outras.

- Nossa, achei que você não viesse. – disse ela levemente intrigada com a presença do rapaz – O pessoal aqui disse que você não costuma aparecer nesse tipo de festa.

- É. Realmente não costumo, mas é sempre bom quebrar a rotina.

- É verdade – retrucou ela com um sorriso desgostoso.

Apesar de nunca ter bebido vinho antes, ele aceitou a taça e seguiu festa adentro cumprimentando um ou outro conhecido, mas no geral muito poucos. Andou pela casa até encontrar um local onde pudesse ver tudo e todos, e principalmente Ama, para tentar descobrir o que havia na jovem que lhe chamava tanta atenção. Depois de algum tempo, viu Pablo se aproximar dela com duas taças bem cheias nas mãos e entregar uma para a moça. Ele sussurrou algo no ouvido dela que seria impossível saber, tanto pela música alta, quanto pelo cabelo que impedia que Michael lesse seus lábios. Ama deu um beijo no rosto de Pablo e agarro-lhe a mão, puxando-o escada acima.Um espelho na parede do corredor do segundo andar deixou que Michael visse os dois entrarem em um quarto que ficava de frente, porém no fim do corredor. Eles entraram e apagaram as luzes deixando acesa no corredor apenas uma vela na porta do banheiro.

Minutos depois Pablo saiu do quarto para usar o banheiro e, ao chegar nele, reparou uma leve abertura na porta do cômodo em frente. Curioso, ele abriu a porta, entrou e fechou. Ao acender a luz, se viu rodeado de produtos de beleza. Enquanto isso, Michael olhava fixo para o vinho, fitando sua imagem refletida naquele líquido escuro. Uma gota caiu dentro da taça, e assustado ele passou as costas da mão em seu nariz e percebeu que estava sangrando.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Aparência - Capítulo 8

Ama fez todos os preparativos e convidou todos que conheceu em uma semana, inclusive aqueles que ela só conheceu no dia da festa. Embora não tivesse um quintal grande, sua casa comportaria a todos sem problema, então fez a festa do lado de dentro, o que foi até melhor, pois o céu já estava se fechando, e uma forte chuva estava a caminho.

Michael não se decidira se iria ou não, mas com o passar do tempo, apesar da curiosidade, decidiu ficar em casa. Pablo tentou se aproximar de Ama a semana inteira, mas tudo que conseguiu foi um coleguismo. Mesmo assim, foi o primeiro a chegar e acabou ajudando a terminar de organizar as coisas.

Aos poucos, outros convidados começaram a chegar e dentro de minutos a festa já estava agitada. Foram contratados garçons para servir as tortas Golden Bon Vivant, os Foie Gras, os Almas Golden Caviar, e os vinhos Château Pétrus e Romanée-Conti. Havia também Trufas Brancas e Trufas Madeleine, tudo muito sofisticado para o paladar daquela vizinhança.

Já eram quase dez horas da noite e chovia muito. Por sorte, todos estavam animados como se ainda estivessem começando. De repente, a porta se abriu junto com o som de um trovão assustando a todos, que viram parada na porta, uma sombra curvada e molhada olhando para eles.A sombra deu um passo à frente, e quando todos reconheceram quem era, ficaram ainda mais espantados. Michael aparecera na festa.

domingo, 13 de setembro de 2009

Aparência - Capítulo 7

Os dois se encararam por um tempo. Tempo esse, bastante para que a raiva inexplicável de Pablo se estendesse e Michael começasse a pensar em como sair por cima daquela situação. Um dos vizinhos, que ouviu toda a conversa, interpôs-se:

.

- Pablo, o que faz na rua há essa hora meu rapaz?
- Hum, nada – respondeu parecendo mais calmo pela distração – Só estava dando umas voltas e acabei encontrando meu amigo Michael. Não é mesmo Michael? – perguntou ele num tom sarcástico.
- Pois é – disse ele fitando Pablo e tirando seu braço da mão dele que já não segurava mais com tanta força – Eu estava fazendo minha caminhada noturna e a gente acabou de esbarrando.
- Será que podemos conversar um pouco? – disse o vizinho puxando Pablo e virando as costas para Michael.

Pablo o seguiu, mas antes de partir deu uma última olhada na intenção de amedrontar Michael, contudo o mesmo já havia virado em uma das esquinas que levava a sua casa e isso o deixou furioso.

Ao chegar à frente de sua casa, Michael percebeu que uma das luzes na casa de Ama estava acesa. Já era de madrugada e ele não entendeu porque a jovem ainda estava de pé. Tentou enxergar o que ela fazia, mas uma cortina fechada permitia que ele visse somente a silhueta da moça. Deduziu, pelos movimentos dela, que talvez estivesse ajeitando pequenos potes e frascos em prateleiras.
Mal sabia ele que Ama não estava acordada. A obsessão pelos produtos fez com que ela desenvolvesse sonambulismo. Apesar de não saber disso, o rapaz suspeitava que houvesse algo mais nela. Algo anormal. Algo importante.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Aparência - Capítulo 6

Ao cair da noite daquele dia agitado Michael saiu, como de costume. Gostava de dar voltas pelos quarteirões enquanto pensava. Era um hábito estranho caminhar após o entardecer, mas os vizinhos já estavam acostumados. Depois de dar voltas por quase duas horas, ele sempre começava a cantar.

.

As estrelas lá em cima

Têm um brilho que fascina

E nós aqui embaixo pensamos

Em que tipo de lugar estamos

Sobramos

Faltamos

.

Cá estou eu nessa rua

Andando sob a luz da lua

Devo seguir ou não

Caminhar em vão

Decisão

Solidão

.

Problemas já não encontro

Com pessoas não mais me encanto

E um coração que bate frio

Gelado como um rio

Vazio

Sombrio

.

Enquanto voltava para casa, deparou-se com a sombra d’uma pessoa, mas não conseguiu identificar quem era. A sombra começou a se mover em sua direção, contudo, Michael ficou parado e esperou para saber quem era. Aquilo chegou até ele rápido e segurou-lhe o braço.

.

- Acha que eu não percebi os seus olhos sobre a moça? – disse Pablo – Não sei o que pretende, mas é melhor não se aproximar dela.

- Até onde sei, nada me proíbe de ver o mundo através de minha janela – disse Michael levantando os olhos, mas não a cabeça, e dirigindo ao outro um olhar sério.

- Não me venha com essa. Seja o que for que planeja fazer, é bom que tome cuidado. – disse Pablo em tom ameaçador.

- Quem tem que tomar cuidado aqui é você – disse Michael áspero e gélido – Por que não solta meu braço?

- E o que você vai fazer se eu não soltar? – perguntou Pablo na tentativa de um desafio.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Aparência - Capítulo 5

A casa de Michael ficava de frente para a casa da nova vizinha e ele logo percebeu a agitação. Puxou a poltrona até a janela e sentou-se como de costume, porém, dessa vez, apesar de ter um livro em mãos, seus olhos nem sequer pousaram nas páginas, pois estava se entretendo com o ocorrido.

Apesar da distância, Michael conseguia ouvir perfeitamente caso alguém falasse do outro lado da rua, e percebeu a mudança súbita de comportamento de Ama, o que lhe causou espanto e curiosidade, principalmente em relação ao que existia dentro do carro.

Quando viu Pablo voltar para casa, afastou a poltrona para que o mesmo não o visse. Reparou que nesse mesmo instante Pablo olhara para ele, mas estava tranqüilo, já que não tinha como o rapaz vê-lo. Por conseguinte, continuou a vigília, mas nada conseguiu descobrir, pois quando Ama decidiu tirar as coisas do carro, entrou com ele na garagem e só descarregou quando a porta estava totalmente fechada.

Ela nunca gostou de bisbilhoteiros. Era vaidosa para si, sem se importar com o que falavam. Se quisessem conhecê-la, estava disposta a mostrar quem era, do que gostava e se necessário até dava uma festa de confraternização – como ocorreu na semana seguinte – porém, se lhe perguntassem qualquer coisa sobre o passado ficava fria, arrogante e obscura.

Depois de organizar a casa, passou horas cuidando do quarto dos cosméticos. Fechou todas as portas e janelas para que ninguém a incomodasse e começou. Fez tudo sozinha. Prateleiras, saboneteiras, bancadas e espelhos. E, com tudo já fixado, começou a organizar os produtos. Cada um tinha um lugar exato e nada podia sobrar ou faltar, bem como nada deveria ficar fora do determinado. Finalizados os arranjos, saiu do cômodo e trancou a porta. Já era tarde e ela resolveu tomar um banho e se deitar, pois tinha que acordar cedo e iniciar os preparativos da festa para a próxima semana.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Aparência - Capítulo 4

Um fino raio de sol passou pela brecha da cortina, soprada pelo vento, e atingiu os olhos de Pablo fazendo com que ele acordasse. Como já estava sem sono, levantou-se e espreguiçou, foi até a janela e abriu a cortina com a intenção de respirar um ar puro, quando se deparou com um caminhão de mudanças que parou alguns metros após sua casa. Indagou se seria a mesma pessoa que vira há uma semana.

Uma jovem que lhe chamou bastante a atenção e que chegou pela manhã junto com um corretor. Ficou na casa por volta de vinte minutos e saiu. Durante esse tempo Pablo esperou sentado no gramado, observando a moça e admirando sua beleza. Quando ela saiu da casa, ele pensou em cumprimentá-la, mas ela entrou logo no carro e saiu, com um ar de decidida.

E agora, lá estava ela, e Pablo não podia perder essa chance. Foi até lá com o objetivo de conhecê-la, mas, para mascarar suas intenções, apresentou-se como vizinho e se propôs a ajudar com o carregamento.


- Oi! Meu nome é Pablo, sou um dos seus novos vizinhos. Seria incomodo se eu te ajudasse com isso? – disse ele pegando uma das caixas na pilha.
- Ah! De maneira alguma – disse ela afastando as caixas que tinha nos braços para o lado e olhando o rapaz de cima a baixo – Qualquer ajuda é sempre bem vinda.

Ele carregou boa parte do que havia no caminhão para dentro em dez minutos.

- Desculpa, mas eu não lembro seu nome – disse Pablo, assim que terminaram, na tentativa de conseguir algo.
- Mas eu não falei – diz ela séria, porém sorrindo em seguida – Prazer, meu nome é Ama.
- Prazer Ama – diz ele sem graça - Quer ajuda com as coisas do carro?
- Não! – uma expressão terrível caiu sobre o rosto da jovem moça, mas logo desapareceu – Di-digo – gaguejou – não precisa. Você já me ajudou bastante, não quero abusar da sua boa vontade. Pode se retirar.

Essa última frase foi dita em um tom sisudo fazendo com que Pablo desistisse de tentar algo mais. Ela virou as costas e fechou a porta da casa com violência. Ele, sem entender, voltou para seu gramado, mas percebeu que, enquanto andava, estava sendo observado.

sábado, 5 de setembro de 2009

Aparência - Capítulo 3

Ama era uma jovem rica e vaidosa de 21 anos que morava com o pai, mas depois de alcançar a maioridade passou a ter um desejo repentino de morar sozinha. Na busca, encontrou um lugar que lhe encheu os olhos por um simples detalhe: um cômodo de quatro metros quadrados, perfeito para seus cosméticos. Uma semana antes da mudança, Ama visitou a casa e passeou por todos os aposentos, mas, ao entrar naquele quarto, se viu rodeada de prateleiras e mais prateleiras, todas cheias com seus produtos de beleza.

No mesmo dia, realizou a compra do imóvel, mas mandou que entregassem suas coisas dentro de uma semana, porém, fez questão de levar seus produtos ela mesma.

Ama tinha muito zelo por eles, tanto que isso se tornou um ciúme doentio. Ela nunca havia deixado ninguém tocá-los, embora não tenha conseguido evitar que acontecesse. Isso foi quando ela tinha quatorze anos, na mesma época da morte de sua mãe.

Ama, que desde pequena sempre foi muito ligada a sua aparência, gostava de fazer exercícios e trabalhava em uma academia antes de se mudar, logo, não teve problema algum para levar seus pertences para dentro da casa.

Menos problemas ainda, pois teve a ajuda de um dos novos vizinhos. Cabelos negros, e olhos castanho-claros. O rapaz era alto e de certa forma forte. Devia ter por volta de 26 anos. Seu nome era Pablo.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Aparência - Capítulo 2

A estrada que cortava a cidade tinha pouco mais que quatro quilômetros. Não havia muitos quarteirões, mas eram mui grandes. Também não existiam shoppings, mas a cidade tinha um mercado onde quase tudo era vendido e uma praça ao lado com pouca iluminação, mas não perigosa, cuja maioria dos casais visitava e até mesmo se deitavam na grama para ver o céu.

As festas, quando não eram feitas nessa praça, ocorriam nas casas dos próprios moradores e raramente a polícia precisava intervir já que, por ser uma cidade pequena, os moradores que talvez reclamassem das festas, freqüentavam as mesmas.

Havia uma casa enorme e arrisco dizer também que era muito bonita. Era composta por três andares, cada qual com uma média de quatro a cinco cômodos, um sótão e um porão. Era branca, com quatro janelas largas de madeira e uma, acima de todas as outras, redonda e pequena, com um metro de diâmetro.

A casa estava à venda, até a manhã em que um caminhão parou na porta para descarregar as mudanças.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Aparência


Olá galera.

Esse mês, não pretendo expor nenhuma teoria. Preparei uma coisa especial para ele e espero que vocês gostem.


Antes de qualquer coisa gostaria de fazer alguns agradecimentos.


Quero agradecer ao meu Pai e a minha Mãe, por me darem conhecimento, estudo e por me instruir muito bem, tornando-me capaz de escrever esse conto.


Agradeço a Glenda Severo de Abreu, minha irmã, por me criticar construtivamente, revisar meus textos e dar dicas sem as quais não poderia prosseguir.


Agradeço a Bruno Severo de Abreu, meu irmão, por me pedir um texto de comédia. Lamento rapaz, mas isso foi tudo que consegui.

Agradeço a Jéssica Pinheiro Vidal, por me dar a idéia de escrever um conto nesse estilo e me dar incentivo durante o caminho.


Agradeço a Emerson Xavier, por me dar apoio e uma idéia para o final dessa história quando tive bloqueio criativo.


Agradeço a Marcelle Simões pelas idéias de nomes jogadas na minha mente sem palavras ditas e a Maria Lilian Amarante por sempre dizer: Ô garoto! Vai escrever vai, vai!


Agradeço a todos os envolvidos direta e indiretamente nessa estrada. Valeu a pena para mim e espero que apreciem.


Obrigado.



Aparência



Esse conto teve inicio, a idéia de reunir uma séria de palavras e fazer um mini texto. Eu decidi falar sobre a impressão que as pessoas trazem com sua imagem. O objetivo foi cumprido, porém o mini texto acabou virando um conto de 15 capítulos.



A história fala de Michael, um rapaz bem exótico que mora em uma vizinhança muito tranqüila e festeira. Ele não gostava muito das festas, logo não as freqüentava. Mas sua vida deu um pequeno giro com a chegada de Ama, a nova vizinha.

Aparência - Capítulo 1

Era uma vizinhança comum, com casas comuns e moradores comuns. A maioria deles tinha entre 20 e 35 anos e nenhuma criança. Em sua grande parte, eram de classe média e gostavam de fazer festas entre si, exceto por uma pessoa: Michael.

Michael sempre foi muito diferente e essa diferença chamava a atenção dos outros. Ele passava a maior parte da manhã dentro de casa, às vezes sentado em sua poltrona, às vezes andando de um lado para outro. Dava passos curtos, porém rápidos e tinha os braços levemente dobrados, bem como as costas curvadas. A primeira vista, sua imagem era desagradável e isso era causado, principalmente, pelas sobrancelhas levantadas nos cantos e seu sorriso. Os dentes eram brancos como leite e perfeitamente alinhados, mas, por serem milimetricamente separados uns dos outros, tornavam seu sorriso grotesco.

Tinha essa aparência repugnante, não obstante, os vizinhos conversavam com ele, quando o mesmo saia de casa - apesar de terem aversão a sua figura - pois era muito inteligente e culto. Nos momentos que passava em sua poltrona, lia muitos livros, e praticava diversos jogos de tabuleiro, o que fez dele um ótimo enxadrista, por exemplo.

Tudo que sabiam sobre Michael, era o que ele queria que soubessem, contudo seu passado ainda lhes causava curiosidade.