Ao cair da noite daquele dia agitado Michael saiu, como de costume. Gostava de dar voltas pelos quarteirões enquanto pensava. Era um hábito estranho caminhar após o entardecer, mas os vizinhos já estavam acostumados. Depois de dar voltas por quase duas horas, ele sempre começava a cantar.
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As estrelas lá em cima
Têm um brilho que fascina
E nós aqui embaixo pensamos
Em que tipo de lugar estamos
Sobramos
Faltamos
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Cá estou eu nessa rua
Andando sob a luz da lua
Devo seguir ou não
Caminhar em vão
Decisão
Solidão
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Problemas já não encontro
Com pessoas não mais me encanto
E um coração que bate frio
Gelado como um rio
Vazio
Sombrio
Enquanto voltava para casa, deparou-se com a sombra d’uma pessoa, mas não conseguiu identificar quem era. A sombra começou a se mover em sua direção, contudo, Michael ficou parado e esperou para saber quem era. Aquilo chegou até ele rápido e segurou-lhe o braço.
- Acha que eu não percebi os seus olhos sobre a moça? – disse Pablo – Não sei o que pretende, mas é melhor não se aproximar dela.
- Até onde sei, nada me proíbe de ver o mundo através de minha janela – disse Michael levantando os olhos, mas não a cabeça, e dirigindo ao outro um olhar sério.
- Não me venha com essa. Seja o que for que planeja fazer, é bom que tome cuidado. – disse Pablo em tom ameaçador.
- Quem tem que tomar cuidado aqui é você – disse Michael áspero e gélido – Por que não solta meu braço?
- E o que você vai fazer se eu não soltar? – perguntou Pablo na tentativa de um desafio.
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