quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Canto Sob o Sol

Sob o claro sol andei à ela
Vestida linda, de preto e branco
Quando dela ouvi seu doce canto,
Dei-me conta de como era bela
.
Parada ao lado de uma janela.
E na sua boca um sorriso franco,
Que à sua imagem trazia encanto
De esplendor qual Sistina capela.
.
De leve ela tomou minha mão
E disse: Tenho algo a lhe mostrar.
Cumprindo a prece de um coração
.
Pelo seu mundo fui caminhar
Tão gentil, começou tal canção
De fazer qualquer tempo parar.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O Menino e o Machado

Pedrada na janela esquerda

O vidro estava fechado.

Furioso ele levanta

E vê tudo estilhaçado.

Desce as escadas depressa

Segurando seu machado.

.

“Corre menino, corre!

O vizinho está irritado.

Porque fica parado ai?

Quer ter o braço cortado?

Ontem à noite eu o vi

Afiando seu machado.”

.

“Ele não passa de um louco

Que há de mais n’algo quebrado?

Olha como vêm mancando

Todo desajeitado.

Pensa que pode me assustar

Sacudindo seu machado?”

.

“Não pretendo amedrontá-lo

Moleque abusado.

Fique bem como está,

E será decapitado.”

Urrou o vizinho

Descendo-lhe seu machado.

.

E um golpe pesadíssimo

Acertou em cheio o gramado.

O menino bem veloz

Esquivou-se para o lado.

Olhou o vizinho, e correu

Evitando seu machado.

.

“Maldito seja”

Diz o vizinho frustrado.

Voltou a casa e deitou na cama.

“De que adianta ficar acordado?”

Abriu a porta do armário

Guardando seu machado.

.

No dia seguinte lá foi o menino,

Esgueirando-se pelo cercado.

Subiu a escada até o quarto

E andando de leve, sem calçado,

Abriu o armário, olhou o vizinho e sorriu

Roubando-lhe seu machado.

.

Saiu de casa e chamou aos outros

Sorrindo e saltando animado.

“Três vivas ao nosso herói

Que em tempo era esperado.”

E o menino cantou vitória

Erguendo seu novo machado

domingo, 11 de outubro de 2009

Revolta

Estou cansado.
Cansado de escrever coisas bonitas,
Cansado de todos esses versos com rimas,
Isso, todo mundo faz.
Cansado dessa raiva sem sentido,
Cansado dessa moda de revolta,
Cansado de buscar por ideais.

Política, economia,
O futuro de um país.
E que tal o meu futuro?
Egoísmo, talvez loucura.
E daí se é algo ruim?
Não ligo mesmo. Juro!

Que culpa temos por não sermos perfeitos?
E que direito temos de julgar alheios?
Tenho uma vida para cuidar.
Não me importam os seus erros,
Não me inclua nessa revolta
Que leva a nenhum lugar.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Eldorado (Edgar Allan Poe)

Gaily bedight,
A gallant knight,
In sunshine and in shadow,
Had journeyed long,
Singing a song,
In search of Eldorado.

But he grew old
This knight so bold
And o'er his heart a shadow
Fell as he found
No spot of ground
That looked like Eldorado.


And, as his strength
Failed him at length,
He met a pilgrim shadow
"Shadow," said he,
"Where can it be
This land of Eldorado?"


"Over the Mountains
Of the Moon,
Down the Valley of the Shadow,
Ride, boldly ride,"
The shade replied
"If you seek for Eldorado!"




Eldorado (Edgar Allan Poe)

Tradução de Igor Severo de Abreu

Trajado alegremente
Um cavaleiro valente
No sol ou nublado
Viajou só em ida
Cantando uma cantiga
Em busca do Eldorado

.

Já não era mais novo

Cavaleiro tão corajoso

E seu coração se tornou sombreado

Caiu ao encontrar

Nem sinal de um lugar

Que parecesse com Eldorado


.

E, enquanto sua energia

Desapontava-lhe dia a dia

Encontrou um peregrino maculado

“Maculado,” ele disse

“Onde foi que vistes

Essa terra de Eldorado?”


.

“Sobre as montanhas

Da lua,

Descendo o Vale assombrado

Cavalgue através da lomba,”

Replicou a sombra

“Se procura pelo Eldorado!”


.

Olá galera. Apresento-lhes a minha versão traduzida do poema “Eldorado” de Edgar Allan Poe.

Nela, tentei manter a essência transmitida pelo autor. Para manter as rimas tive que fazer algumas adaptações. Traduzi de uma maneira que o signifcado mais se aproximasse para que não houvesse muita diferença daquilo que Allan Poe escreveu.

É dito que poesia é aquilo que se perde na tradução, mas dessa vez tentei fazer diferente, mantendo a tradução mais próxima possível do original.


.

Abaixo segue o link com outras duas traduções de profissionais:

http://www.elsonfroes.com.br/poe.htm


.

Bom, espero que tenham gostado.

Se tiver um resultado positivo tentarei fazer novas traduções e em breve postarei aqui.

Até a próxima pessoal.

Abraços

Turvans

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O mais gostoso dos sons

Uma espada ao ser desembainhada. O som da lâmina correndo no pedaço de metal que fica bem na boca da vagem. Erguida no ar com sua prata tão afiada, ela corta a brisa até ir de encontro à carne, e quando a toca, seu fio transpassa camada após camada.
E o som... Ah o som.
A pele sendo aberta aos poucos, carne a carne, ossos, órgãos. Então ela para, e tudo que resta é segurar com força o punho, olhar a vítima desde o ponto onde está a espada até os olhos. Olhos vivos, vorazes, corajosos, porém incapazes de uma reação. E então girar, girá-la e apreciar a mudança no rosto causada pela dor da torção da lâmina até que o sangue saia, rubro escarlate. E ouvir o mundo mudo. E ouvir o metal mudo. E um grito sem som de uma boca aberta e tremula. Ouvir o som de um corpo que se deita lentamente, e se afasta do punho firme e frio, caindo ao chão e soando seco e delicioso.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Tímido

Tanta gente
Tão linda por
Todo lado.
Tenho que
Tentar conhecê-las.
Todo dia
Tenho chances, no
Trabalho, na
Travessa. Um
Turbilhão de
Tentações,
Troianas e Gregas,
Traz um desejo
Travesso,
Todavia
Tira meu
Tábido
Tempo e
Tardo a dormir.
Tão
Triste.