Ama estava colocando os cosméticos nas caixas, quando ouviu o telefone tocar. Não sabia quem poderia ligar àquela hora e, ao atender ouviu uma voz que não conhecia.
- Alô – disse ela.
- Eu sei de tudo – disse a voz.
- O que? Tudo o que? Quem está falando? – perguntou ela pretendendo estar aflita.
- Não tente me enganar. Eu já sei toda a verdade. Você matou sua mãe quando tinha quatorze anos, e seu pai depois de ter descoberto, te espancou na tentativa de vingar-se pela mulher amada. Tudo porque ela tocou seus preciosos produtos. E agora, sete anos depois, a história se repete. Achou que ninguém iria saber?
Ela ficou muda e só se ouvia a respiração no telefone.
- Responda! – gritou a voz.
- Vocês nunca vão me pegar.
Isso era tudo que eles precisavam. Michael desligou o telefone e ele, o delegado e mais alguns policiais seguiram para a casa de Ama. Quando chegaram, ela ainda estava saindo e, ao vê-los, arrancou com o carro, mas foi logo seguida.
Ela optou por uma estrada que levava a rodovia, onde ela poderia desenvolver maior velocidade para fugir deles, que estavam em seu encalço.
- Pare o carro – disse o delegado no megafone.
E assim que o disse, o carro de Ama chocou-se com um caminhão de gasolina, porém o sistema de segurança do veículo evitou que ela se ferisse, mas não impediu que lhe caísse combustível por todo corpo.
Desesperada, ela soltou o cinto e abriu a porta com força, fazendo com que o atrito de metais gerasse uma faísca, transformando seu carro numa labareda com ela dentro.
Ama saiu do veículo correndo em chamas e Michael agarrou-a, jogando-a no chão para extinguir o fogo e, ao fazer isso, ela desmaiou.
Na semana seguinte, no hospital, ela foi encontrada sentada no chão sem as ataduras no rosto desfigurado, morta com cortes nos pulsos e em uma das mãos um espelho.