sábado, 4 de fevereiro de 2012

Uma Van Qualquer

Fui à faculdade tentar resolver um problema
Como são muito prestativos me deram mais um dilema
Decidi ir para casa e pensar nisso depois
Na falta de uma rima melhor vou usar o feijão com arroz
Subi a passarela já pensando na condução
Ônibus ou taxi? Queria mesmo um avião
Gol, Varig ou até mesmo um da TAM
Acelerei meu passo, pois avistei a minha van
Ela já estava partindo antes que eu tivesse descido
Pensei em pegar outra, não devia ter feito aquilo
O cobrador esperou eu descer, abriu a porta e eu entrei
Assim que sentei no banco, num moço careca reparei
Ele tinha cara de choro e a testa estava franzida
Ou ele estava triste ou era só dor de barriga
A van parou numa peixaria e eu senti um forte cheiro
O cobrador abriu a porta e então entrou um maconheiro
Disse ele pro amigo – Cabe nós dois em pé Brow
Mas assim que os dois entraram o maconheiro se sentou
Naquela proteção da roda que fica do lado de dentro
E o cobrador fugindo do calor deixou sua cara no vento
Parecia um cachorro, mas sem a língua pra fora
E eu suando e pingando, para descer não via a hora
O motorista pisou fundo, estava a todo vapor
E dentro daquela van não escondi o meu pavor
O anel verde e grande de um homem em pé me distraiu
Ele olhava pela janela quando de repente sorriu
Pensei: O que tem lá fora para esse homem tirar sarro?
Foi então que vi um menino andando de skate no barro
O maconheiro gritava ao conversar com seu amigo
A mulher no ultimo banco solta do nada um gemido
Curto alto e ofegante, como um gemido de prazer
E eu pensava com meus botões: Por favor, quero descer!
Um carinha do lado do motorista deu para uma moça seu lugar
Mal sabia o careca que do carinha ele iria apanhar
Para por sua mão no banco, no careca ele deu um cascudo
Sua cara antes de choro, agora era um rosto sisudo
O senhor me desculpa? – disse o carinha passando a mão
No local atingido da cabeça do chorão
Da maneira como ele falou pensei que ele tinha demência
Ainda bem que a van já estava no bairro de Paciência
Paguei a passagem e desci, de volta ao lar doce lar
E nessa van cheia de estranhos não quero nunca mais entrar