Ao sair, Michael passou por quase todos os cômodos menos dois, sendo um deles o quarto de Ama que estava vazio. Ao entrar, percebeu que a gaveta do criado-mudo estava aberta, e achando que talvez as respostas que procurava estivessem ali, ele começou a revirar os papeis que estavam dentro. Enquanto vasculhava, encontrou artigos de um jornal de sete anos no qual estava publicado o assassínio da mãe de Ama, o depoimento dos familiares e um que lhe chamou a atenção, dito pelo pai. Havia também um artigo do mesmo jornal, seguinte àquele, informando a prisão de pai por agressão à filha, mas dizendo que o mesmo havia sido solto já que pagaram sua fiança.
Ele estava começando a ler o que o depoimento do pai quando ouviu um grito estridente vindo do corredor. A festa inteira parou com aquele grito horripilante de medo e, assustados, todos tentaram subir as escadas, para saber o que tinha acontecido, enquanto Michael guardava tudo o mais rápido que podia.
Quando saiu do quarto, deparou-se com o corredor abarrotado de pessoas, mas, como era magro e não muito alto, foi conseguindo espaço até chegar ao que todos estavam em volta. Ficou perplexo ao ver o corpo de Pablo rodeado de sangue e, ao lado, a vizinha que passou por ele no corredor, chorando apavorada com a cabeça voltada para baixo. Ama também estava lá, tentando acalmar a jovem com um copo d’água na mão. Ela levantou a cabeça para beber a água e viu Michael parado em sua frente.
- Foi ele – disse ela entrando em pânico e tentando recuar contra a parede – Foi ele. Prendam-no. Foi ele que fez isso.
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Pela primeira vez Michael não soube o que fazer. Ficou lá imóvel, enquanto todos os olhos naquela casa se voltavam para ele.
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