A casa de Michael ficava de frente para a casa da nova vizinha e ele logo percebeu a agitação. Puxou a poltrona até a janela e sentou-se como de costume, porém, dessa vez, apesar de ter um livro em mãos, seus olhos nem sequer pousaram nas páginas, pois estava se entretendo com o ocorrido.
Apesar da distância, Michael conseguia ouvir perfeitamente caso alguém falasse do outro lado da rua, e percebeu a mudança súbita de comportamento de Ama, o que lhe causou espanto e curiosidade, principalmente em relação ao que existia dentro do carro.
Quando viu Pablo voltar para casa, afastou a poltrona para que o mesmo não o visse. Reparou que nesse mesmo instante Pablo olhara para ele, mas estava tranqüilo, já que não tinha como o rapaz vê-lo. Por conseguinte, continuou a vigília, mas nada conseguiu descobrir, pois quando Ama decidiu tirar as coisas do carro, entrou com ele na garagem e só descarregou quando a porta estava totalmente fechada.
Ela nunca gostou de bisbilhoteiros. Era vaidosa para si, sem se importar com o que falavam. Se quisessem conhecê-la, estava disposta a mostrar quem era, do que gostava e se necessário até dava uma festa de confraternização – como ocorreu na semana seguinte – porém, se lhe perguntassem qualquer coisa sobre o passado ficava fria, arrogante e obscura.
Depois de organizar a casa, passou horas cuidando do quarto dos cosméticos. Fechou todas as portas e janelas para que ninguém a incomodasse e começou. Fez tudo sozinha. Prateleiras, saboneteiras, bancadas e espelhos. E, com tudo já fixado, começou a organizar os produtos. Cada um tinha um lugar exato e nada podia sobrar ou faltar, bem como nada deveria ficar fora do determinado. Finalizados os arranjos, saiu do cômodo e trancou a porta. Já era tarde e ela resolveu tomar um banho e se deitar, pois tinha que acordar cedo e iniciar os preparativos da festa para a próxima semana.
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