Ama foi até a porta receber o ilustre convidado e aproveitou para servir-lhe uma taça de vinho enquanto tirava sua jaqueta molhada e a pendurava no cabideiro junto com as outras.
- Nossa, achei que você não viesse. – disse ela levemente intrigada com a presença do rapaz – O pessoal aqui disse que você não costuma aparecer nesse tipo de festa.
- É. Realmente não costumo, mas é sempre bom quebrar a rotina.
- É verdade – retrucou ela com um sorriso desgostoso.
Apesar de nunca ter bebido vinho antes, ele aceitou a taça e seguiu festa adentro cumprimentando um ou outro conhecido, mas no geral muito poucos. Andou pela casa até encontrar um local onde pudesse ver tudo e todos, e principalmente Ama, para tentar descobrir o que havia na jovem que lhe chamava tanta atenção. Depois de algum tempo, viu Pablo se aproximar dela com duas taças bem cheias nas mãos e entregar uma para a moça. Ele sussurrou algo no ouvido dela que seria impossível saber, tanto pela música alta, quanto pelo cabelo que impedia que Michael lesse seus lábios. Ama deu um beijo no rosto de Pablo e agarro-lhe a mão, puxando-o escada acima.Um espelho na parede do corredor do segundo andar deixou que Michael visse os dois entrarem em um quarto que ficava de frente, porém no fim do corredor. Eles entraram e apagaram as luzes deixando acesa no corredor apenas uma vela na porta do banheiro.
Minutos depois Pablo saiu do quarto para usar o banheiro e, ao chegar nele, reparou uma leve abertura na porta do cômodo em frente. Curioso, ele abriu a porta, entrou e fechou. Ao acender a luz, se viu rodeado de produtos de beleza. Enquanto isso, Michael olhava fixo para o vinho, fitando sua imagem refletida naquele líquido escuro. Uma gota caiu dentro da taça, e assustado ele passou as costas da mão em seu nariz e percebeu que estava sangrando.
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